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Era o ano de 1985 e um grupo de atores, produtores
e pensadores culturais da cidade, preocupados com a constância
com que a classe artística brasiliense batia na mesma tecla
da falta de espaço para apresentação de produções
e da ausência de incentivos para a área, decidiu criar,
um espetáculo que permitisse a participação de
todos os criadores. Foi assim que, na primeira semana de agosto de
1985, a já falecida atriz Cristina Borracha subiu ao palco
do Teatro Galpãozinho (hoje Espaço Cultural Renato Russo)
e abriu a primeira apresentação do Jogo de Cena. |
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A idéia era de uma simplicidade tão engenhosa
que tinha todos os elementos necessários para funcionar. Durante
cerca de duas horas, eram chamados ao palco todos os atores, dançarinos,
músicos e artistas plásticos que, em pouco mais de 10
minutos, pudessem mostrar trecho da obra na qual estivessem trabalhando
no momento. Desta forma, um diretor de teatro em período de
ensaio, com estréia marcada, sabia que tinha um local certo
onde anunciar o seu produto e testar a reação do público,
já que um pedaço da peça subiria ao palco do
Galpãozinho. |
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Desta forma, os artistas podiam se exercitar diante
da platéia e os produtores podiam vender o produto, escapando
da miséria dos meios de comunicação da cidade
que, de maneira geral, fria e desprezível, torcem o nariz para
o que Brasília produz para o mundo das artes e dos espetáculos.
Além disto, havia um outro aspecto muito positivo: finalmente,
os jovens brasilienses, que se sentiam abandonados numa cidade onde
havia menos ainda para se fazer do que os supostamente animados dias
de hoje, passaram a ter endereço certo e periódico:
a 508 Sul. |
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Passados 21 anos, o Jogo de Cena já mudou de casa algumas
vezes, acompanhando o sabor das circunstancias e o andar da carruagem.
Do Galpãozinho, que acabou se tornando pequeno, ele passou
para o Teatro da Escola Parque. Foi, em seguida, para o Teatro Garagem,
depois para a aveludada Sala Martins Penna e, finalmente, estacionou-se
no Conjunto Cultural da Caixa Econômica. |
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É no palco do no Conjunto Cultural da Caixa
que dois atores, Welder e Pipo, donos da capacidade admirável
de arrancar gargalhadas a partir de microfonia, erro de texto ou ruídos
vindos da platéia, têm comandado o espetáculo
destes últimos anos. O propósito continua o mesmo: quem
tiver espetáculo que vai entrar em cartaz por estes dias, quem
quiser mostrar a música que anda fazendo com a banda, as bailarinas
que se coçam por apresentar a coreografia recém saída
do forno, todos têm a vitrine do Jogo de Cena, que funciona,
mensalmente, como uma feira cultural ou um show room de produções
brasilienses. |
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